sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Um dia de cada vez

É o que todos me dizem para fazer

Mas um dia já não é suficiente
Um dia já se tornou demasiado longo para viver

Então agora

Faço assim :
vivo só meio dia de cada vez

Mas meio dia também já se tornou muito comprido para mim

Por isso agora
vivo então uma hora de cada vez

Mas meia hora também já se tornou demasiado grande para mim

Assim então
vivo só um minuto de cada vez

Mas um minuto já passou a ser tempo demais para viver

Então, espera agora  ...
é só um segundo

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Distopia

Todas as religiões, filosofias, utopias, (distopias...)
Partem do princípio de que há algo de errado no mundo.

Que há qualquer coisa neste universo que não devia estar a acontecer.
Qualquer coisa que não se devia estar passar...

Qualquer coisa que devíamos estar a fazer
Ou que nós não devíamos estar a fazer ...

Mas ...
então e se não houver ?
Então e se o mundo estivesse a funcionar exactamente como devia... ?

Se todas as pessoas estivessem afinal a fazer aquilo que era suposto fazerem.
Se tudo estivesse a acontecer mesmo exactamente como devia acontecer ...

Não estaremos nós a viver afinal numa utopia ?

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Um corpo estranho

Nós na realidade já só estamos meio vivos.
Uma boa parte de nós tornou-se já incapaz de amar
ou mesmo de sentir (seja o que for).
Tornámo-nos corpos estranhos.
Indiferentes uns aos outros.
Que já nem sequer desejo sentem.

Fazemos de conta que ouvimos as conversas dos outros
(e que lhes acharmos graça)
ou que somos felizes nas nossas sefies.

Para evitar males de maior.