segunda-feira, 14 de maio de 2012

parece que sustive a respiração

e então passaste inesperadamente por mim envolto num imenso manto de aplausos.
e quando a igreja começou a regurgitar todas aquelas pessoas
é que pude finalmente retomá-la no ponto em que a tinha suspenso
sustida no momento em que proferiram o teu nome e duas datas.

mais tarde, alguem reconheceu a minha figura no aparelho.
vi-me : não passava de uma sombra ... um vulto que atravessava a noite no contracampo de um realizador que falava de ti.
vi-me,  no meio de todas aquelas figuras publicas, perguntando-me que raio estava eu ali a fazer na Basílica  ...  (ou que direito tinha de ali estar naquela noite...)

vi os irmãos que não eram irmãos, e o ministro que não era ministro (ele olhou na minha direcção) ...
mas eu não tinha qualquer necessidade de ser visto, nenhuma agenda ou obrigação a cumprir
(não fosse eu, ao fim e ao cabo, realmente invisível)
estava ali apenas como cidadão, como ser humano
como todos os outros que simplesmente se sentiram Tocados por ti

a tentar perceber o que é que nos estava a escapar no meio daquilo tudo ... porque é que tínhamos de abrir mão de ti agora

para então poder finalmente expirar fundo

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